segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Pausinha


É preciso uma pausa. Vamos nos acostumar...
É preciso uma reza, um suplício, um favor...
Deixa esse barco naufragar.
Deixa eu encontrar o grande amor.

"Camarão que dorme a onda leva. Hoje é dia da caça, amanhã do caçador."
Qual é a sorte do dia?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O delírio e a calma




Era um delírio meu, um pensamento constante.


É o delírio envolvente, o delírío que gruda.


E a gente esfrega, esfrega. Mas é o delirar eterno.


O matutar errante. Ou pensamento sincero?




É o arrepio da pele depois de um banho frio.


É a febre e a calma. O amor e o seu vazio.


É o fardo delirante na companhia da alma.


O ar mais rarefeito. Me acalma! Minha calma.




O amor dela é maior e ele fala besteira.


Um dia a febre acaba e não tem mais brincadeira.




É o delírio profundo no beco do mundo.


Sua imagem


Saiba que eu não ando tão depressa

Que eu não tenho o dom de encantar.

O meu encanto é duro e endereça

os passos que você precisa dar.


No meu caminho sei, estás perdido.

Mas não demora alguém pra te encontrar.

Na minha pele, usando meu velho vestido,

Um outro eu enfim, pra te guardar.


quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Quem cala consente


Não preciso dizer que me esgota,

ter que dizer algo aqui somente,

se tudo o que digo é simplesmente

grãos de areia, parte que me devota.



As vezes não formam nenhuma estrada.



As vezes se cansam de ir embora



Ou movimentam-se em meio ao nada



querendo estar só. Só por hora.





domingo, 14 de setembro de 2008

Todo sol


Vem, vamos sair um pouco,


quero ver a noite chegar,


e o sol sairá feito um louco


pensando em não mais voltar.



Quero ver a noite chegar!



Clandestinos, falemos baixinho.


Ele não sabe da nossa presença.


Ele não crê na nossa sentença


de querer o seu quente carinho.



Clandestinos, falemos baixinho!



Toda falta será completude


se o sol for o nosso vizinho.


Pois o amor não sabe ser sozinho


e a solidão é contra a virtude.



Toda falta será completude!

























sábado, 6 de setembro de 2008

Infância


Entre aquele que canta,


Entre aquele que dança,


Há o que duvide da vida


E da tal infância querida...



O infantil amor “de toda a vida”


junto com meus brinquedos


programou a grande partida!


Partiram com meus segredos.
Não quero que me devolvam os segredos de quando criança
Só quero que me deêm outros para colocar na lembrança.





domingo, 24 de agosto de 2008

Breve


Eu só quero o último desejo,

sem ouvir o último suspiro

e desejar ser o primeiro beijo.


(Que o último desejo seja também o primeiro que você possa desejar.)




sábado, 16 de agosto de 2008

Para deixar de sonhar

O nosso retrato está molhado.


No teu rosto um grande borrão.


O papel sofre as penas calado,


desfazendo-se em minha mão.








Segurando mais uma lembrança,


os meus dedos exigem cuidado.








É o único retrato dos meus tempos de criança. O tempo não quer mais fotografias E os acontecimentos registram-se na memória. Às vezes são lembranças vazias Que lutam contra o rumo da história. Eu ainda quero descobrir a maneira Adequada pra secar esse retrato E não vê-lo perecer entre meus dedos. Quero lembranças, andanças e fatos. Quero o registro de nossa existência Do lado esquerdo da minha cama. Perto da janela pequena, mas dotada de luminescência. É o pouco que se espera pelo muito que se ama. Não posso restaurar com secadores de cabelo As relações fora de foco, as distorções e borrões, A falta de zelo... A falta de apego. A falta. Ainda quero encontrar a maneira Adequada pra secar este retrato Quero lembranças de nossa existência Do lado esquerdo da minha cama Pois é o que se espera pelo muito que se ama.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Sobrevivente




Enquanto reféns são trocados,


Algumas mãos afagam,


outras faces apanham.


É o rosto dos condenados.




É a cara pela qual barganham


É tudo uma grande surpresa.


Estamos presos na incerteza!




Muitos foram os deixados


Sem ouvir qualquer adeus.


Admito, foram abusados


Os tantos erros meus.




E junto aos teus afagados,


são levemente arranhados.


Nossos corpos já muito marcados


juntaram-se aos condenados.




É um carpe diem diário.


É o carpe diem no quarto.


Amor, amor. É somente...


O amor do qual estou farto


e admito ser sobrevivente.



(Tenho o chão nas mãos e, no meio de tantos “nós”, as mãos na consciência. Quase sem ciência ou clarividência.)

sábado, 19 de julho de 2008

Oitavo andar



Pra quê quebrar o silêncio com o bater de portas, se podemos ocultá-lo dentro deste quarto?
Naturalmente somos humanos e, humanamente imperfeitos, brigamos sem motivo.
É bom achar que conservamos o direito de sentimentalizar o mundo e viver a velha fábula de final feliz. Eu mesmo fiz muitos contos... E você foi eternizado, hora como um santo imaculado, hora como um demônio tentador.
Quando eu queria ouvir sua melodia você se trancava no quarto. Lembra?

A porta permanecia trancada por horas. Para passar as horas, eu me via no espelho a conversar com a minha matéria pálida. Tanto tempo de conversa que acabei por descobrir que sou um personagem de mim mesmo. Os personagens do espelho, muitas vezes em nada se pareciam comigo. O vento, responsável pelo balançar das minhas pesadas cortinas, quase sempre atrapalhava as horas de prosa. As cortinas esbarravam nos muitos papéis que eu deixava em cima da mesa, acabando por derrubá-los no chão. Todos os dias eu os recolhia.


Por quê eu deveria fechar a janela se o vento era tão fresco e leve? É bom sentir os cabelos se descabelando enquanto recolho os papéis do chão. Mesmo no oitavo andar o vento é fresco...é quase brisa do mar ( tão distante). Era a minha rotina forjada. Eu esperava você destrancar a porta e vir pentear meus cabelos. Mas a criatura inconsciente de sua matéria bruta e de seu espírito escondido não se adapta à rotina e ao tempo.


Ontem você não abriu a porta. O cabelo estapeando o meu rosto com a força do vento . Não era o vento leve, nem a brisa do mar distante.No corredor, que leva ao teu quarto, nenhum quadro entortado ou tapete pisado. Arrombei a porta do quarto, desculpe-me! A janela totalmente aberta, a cama bem arrumada e os livros dispostos em fila na prateleira. Nenhum sinal de presença. Não sei se você se jogou ou seguiu a brisa do mar. Ando descabelada pela casa e fecho pontualmente as janelas.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Tudo o que importa


Não, não estamos soltos. Estamos camuflados com as atribuições da vida (sem classificações de bom ou ruim). Passos sem pressa para os que acreditam em destino. Corpos se atropelam com o medo da queda. Queremos, por vezes, medir a grandeza das coisas por espécie e em espécie. Somos mesmo muito pequenos. A nossa pequenez é uma espécie de cegueira aparentemente brilhante e conformista.

Não, não estamos soltos. Estamos presos atrás da nossa condição de ser livre. A alma está presa ao corpo e sem ele não seria resistente ou sábia. As experiências da alma acontecem na presença da carcaça que vestimos. Nossa carcaça é dura, é pele, é couro. Unicamente somos dois, corpo e alma. Assim, a solidão não nos pertence. A solidão é aparência e, essa aparente solidão mantém viva a busca pelo outro; o duplo visível.

Logo acontecem os encontros e nossa carcaça aferece-se aos outros. Oferecemos essencialmente o que não se pode medir. Segue a caminhada, talvez menos cega e mais tolerante. Não, não estamos soltos. Estamos de acordo com as verdades e mentiras que criamos. Sejamos então, livres em pensamento.

Cada palavra livremente pensada é um encontro com Deus.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Imenso azul erverdeado




Estou aos pés do grande mar.

Face totalmente lavada de sal,

depois enxugada pelos grãos de areia.

Sinto, cheguei ao meu doce lar.

O meu doce lar é a casa da sereia.


Como que para enfeitar, a tarde aparece.

Eu espero a rainha, por mim adorada.

Peço: _Escutai meus pedidos, cantados em prece.


Veia acima




Lembro de querer calar as tolices,

para então, contar as estrelas.

Lembro de me perder olhando-as

manipular os caminhos, as crendices...


Quando você me faz lembrar

eu tento não fraquejar

E esquecer o formigar ( de pernas).


Sei, não é causa de querer

Tampouco é caso de sofrer.

Por isso não cabe mais gritar

Ou relutar, me debater...


Se alguém perguntar sobre as mentiras?

Sempre muito bem guardadas!Obrigada.

Vivem tranqüilas, veia acima do coração.

Entre uma artéria roubada, Entre a raiva e a solidão.

( Mas não pergunte onde enfiei o perdão.)

sábado, 14 de junho de 2008

Vaso


É vaso, é um pequeno corpo, é maçã.
Fotos para advinhar no divã,
quando eles querem respostas.

Mas é vaso, pequeno corpo e maçã,
ou todas essas coisas sobrepostas.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Praias




Um salve ao meu Rio de Janeiro,

e as suas praias serenas.

Terra onde quem é branco pena,

mas não pena por ser branco,

só por uma vaga apenas!


Uma vaga pra botar o carro.

Na Lagoa 5 reais! Tá caro!

As vezes nem na Lagoa tem,

e o branco que quase não vem

desiste de ficar bronzeado.





Aos sepultados




Cavarei uma cova profunda.

Pro descanso já anunciado.

E o meu sonho será enterrado,

Enquanto a saudade me inunda.


Velarei os corpos e as flores,

Esperando o sol que nasceria.

E o poeta então responderia:

“_Uma vela aos teus amores!”


Foram muitos os sepultados,

Mas somente um foi amado.

Morte súbitamente estúpida,

E o caixão não foi comprado.


( talvez no fundo eu ainda queira ver o cristo ressuscitado).

sábado, 24 de maio de 2008

Glóbulos II




Os teus olhos são olhos molhados,

De quem teve pressa em chorar,

E achou que não iriam notar

As pálpebras inchadas, os glóbulos ilhados.




Peço que chore as minhas lágrimas,

Pois meus olhos há muito secaram.


Em dois olhos que já se amaram


Há clarividência, alguma essência, ímãs.




Guarde minhas lágrimas e leia as minhas rimas.



Guarde minhas lágrimas e rimas,

Mesmo as rasas e pequenas.

Minhas ambições, meus problemas,

Manias, lamentações e cismas.
Chore por mim, pois minha lágrima é éter.



Glóbulos



Mesmo sem me olhar no espelho com os olhos de antigamente, bem abertos.

Mesmo que eu diga algumas mentiras só para poder partir, eu te amo.

( Sem essa de “vou te seguir pra sempre”).

As vezes é preciso olhar o passado com esses olhos de antigamente.

(Só pra ter certeza que ele não vai voltar).

Eu te amo, com os olhos de hoje, flutuantes!

Eu te amo com os olhos que não pertencem mais ao corpo.

O corpo é pouco. O meu corpo é quase nada.

Amo o cheiro de tinta quase impregnante dos teus dizeres.

Amo vê-los desbotar com o passar do tempo.

Amor, que acalma cada pedaço do meu ser aflito, mesmo que eu esteja em pedaços.

Mesmo que nosso encontro tenha acontecido para depois ser esquecido.

Mesmo que seja para te olhar e depois te esquecer, eu te encontrei!

Quero te olhar e te esquecer com os olhos de antes.

Quero acordar e permanecer em você com os olhos de hoje, flutuantes!


Você, você, você...Amado no meu todo e sempre.

Pequeno


Roubei teus últimos minutos

só pra não dizer adeus,

só pra ter nos braços teus
o tempo e a eternidade juntos.


Roubei e não me arrependo.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Não sei



Consegui meu descanso num porto vazio.
Arrumei o meu quarto, entoei ladainhas.
Acertei os ponteiros, cruzei meus sentidos,
Juntei-me aos pedaços dos arrependidos.

Esqueci o teu nome em grande cantoria,
Escondendo o meu rosto da luz que luzia.
Compreendo a mania de voltar atrás.
É tão triste o adeus, a jura, o jamais.

O que eu faço com as minhas promessas?
O nosso tempo está fora do quarto.


A tristeza invade a terra abatida.
Há esperança de vida em alguma cidade perdida?


A virtude dos homens é sempre medida.
Há um mundo que reza e gente convertida.
A inocência padece em tom de despedida.
O silêncio é uma prece, precede a partida.

Há meninos que buscam a velhice enrustida.

Uma carga radioativa e altamente corrosiva,
Escorre dos becos de um país sem nome.
A fome envenena os guerreiros que dormem,
Ao cair à noite escura, no brilho da lua altiva.

Ainda dormem as almas na fé do planeta,
Com as sementes de vida e todas as esperanças,
Todos os astros celestes, criaturas, cometas.
E o mundo descansa nos mitos e crenças.

E o que eu faço com as minhas promessas?
O nosso tempo está fora do quarto.

Fora do pensamento que vagueia enquanto não durmo.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Divindade



Se restar-me o vazio de uma página em branco.

Se eu alegar que nada posso escrever.

Diga que preciso ir embora. Vou conversar com Deus.

Não importa qual. Talvez ele possa entender.

Em sua roda de luminosidade e leveza,

Darei passos pequenos, por gentileza.

É preciso ser breve. É preciso ser leve.

Perguntarei se há remédio para minha situação.

Perguntarei se posso me queixar

ou se a queixa é em vão!

Ah! Entregarei um livro com os meus poemas.

Vou procurar o remédio para controlar o tédio das poesias pequenas.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Vou fugir


Cada detalhe que foge,
A cada instante que some,
é mais um ponto somado
ao meu encontro marcado
com a inspiração.
(mesmo sem mansidão).
Veja. Nada tem de perfeição.
Um pouco de mim quero apenas.
Quero ainda palavras pequenas
Quero só colorir meu caminho.
Veja. O poeta não é sozinho!
Ele é um fingidor de poemas,
Ele é a causa dos problemas
de quem foge da imaginação.

A valsa




Na tentativa de cantar mais lágrimas,

As bocas dançam a valsa dos apaixonados.

E para o poeta louco,de exaltada emoção,

A valsa não se completa quando termina a canção.

A dança é cansativa e as bocas dormem pouco.

E a terra tanto gira que andar exige esfoço.

Ah! O girar parece eterno. Logo virá a tontura.

Há quem se arrependa, há quem se contente,

Por não dançar com todo o amor

ou ter dançado com tanta gente.

sábado, 12 de abril de 2008

Prosa


Nesses 40 minutos de duração da minha viagem, resolvo pensar no tempo que me falta. Não o tempo que vai durar minha vida, mas o tempo que me resta para seguir pensando no que sou. Queria poder contar com a eternidade. Queria também que ela mantivesse minha conciência ativa e me presenteasse com um papel qualquer para eu rabiscar. E, se não fosse pedir muito, eu gostaria de palavras para contar qualquer história.

Não é que aqui no ônibus, bem ao lado do banco em que estou sentada, alguém toma um pedaço de papel e escreve. É uma menina nova. Assim como é novidade boa ter alguém para compartilhar desse meu envolvimento. Estou feliz por ter 40 minutos de prosa invisível.

Eu e Ela




Se não me olha, fala.

E quando fala, grita.

E se não grita, geme.

Com sua voz aflita.


Com sua voz aflita

E uma frieza torta.

Quase não diz palavras

Quando abre a porta.


Quando não abre a porta

Eu quebro a campainha

E penso que estás morta

No chão da cozinha.


Logo o chão da cozinha,

Um lugar tão frio!

É um chão tão vazio.

Então eu desconfio,

Queres ficar sozinha!


Ela está sozinha.

Eu estou descontente.

Agora ela caminha

e eu, inconsequente

quero segui-la em paz.


Só a gente entende a nossa ladainha.

No chão da cozinha. No chão da cozinha.

sábado, 5 de abril de 2008

Adoecer




Hoje a garganta inflama.
Causa: palavrões que eu disse.

Na febre do corpo eu reclamo:

Maldita seja a amidalite!


Entre as outras tão sinalizadas
Doenças dos erros humanos,

Entre os incômodos gânglios,

Entre algumas ínguas rosadas,

Nenhuma é tão grande e inchada

Quanto a amídala inflamada!


Abracei a hostil faringite.

Amoxil e um adeus à rinite!

Não ví bursite, bronquite,

meningite, sinusite reumartrite!


Mas essa não me deixava,

Era fiel. Queimava, inflamava.

Querida na infeliz situação

Querida, és minha rouquidão.


Mande lembranças à inflamação.

Diga que mudei de endereço.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Por favor




Os meus suspiros, ele arranca.
A pele branca, ele arranha.
Brinca, com sua voz rouca.
E acha em tudo, coisa pouca.

Na minha casa quer ficar,
Acha que eu não vou notar,
Acha que eu não vou ligar,
Que é só meu modo de falar.

É só um modo de falar.
Que são os modos de falar?
Eu amo, não posso fingir.
Tu, não podes mais ouvir!
É muito baixo o meu amor.
Faça silêncio, por favor!

Mesmo que eu não esteja ai
E que não possas mais ouvir
Faça silêncio, por favor!
Pois é tão baixo o meu amor.
É tão baixo o meu amor,
que é querer muito sussurar.
É querer muito declarar
ou transfigurar-se de dor.

Ainda ama-se baixinho...Quase no silêncio!

Porém




Novo e antigo. Antigo e novo.

Eles estão mudados,

mas nós também estamos.

É só uma mudança de endereço,

mas no final é tudo novo.

Na casa da Chica só entra quem quer.

Pode entrar.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A luz e o poeta

Buscarei muitas velas acesas,

que disponho ao lado da cama.

Ainda assim o poeta reclama:

-Quero mais luz nessas mesas!


Na luz, o pensamento vagueia.

Dormem as virgens e os santos,

junto com outros nomes tantos,

quando a chama da vela incendeia.


Todo o acender de uma chama

é mancha de luz na parede vazia.

E ainda assim o poeta dizia:

-Quero mais luz para quem ama!


Ama-se baixinho,quase no silêncio...

Boca dos anéis quebrados


Quando cai a madrugada,

apagam-se as luzes vizinhas.

Eu me encontro aqui sozinha.

Não.Das linhas acompanhada!



Enquanto uma idéia caminha,

logo por outra é alcansada.

Entre os tracejados de linhas

formam-se letras borradas.



Aos poucos das alegrias,

sinto-me libertada.

E das minhas melodramias

inteiramente cercada.



Ali, escrava e protegida,

a minha prática de escrita,

Pouco divina, pouco fantástica,

não pretende ser bonita.



Eu sei, não foi abençoada.

Há muito não é benzida,

mas traz ao papel branco vida.

Só um pouco, quase nada.



E na minha sala vazia,

movem-se em cantoria

as idéias congregadas.