sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Deixe sim, Santa Luzia!






Se me pego soluçando, bem na noite em que caia

do céu , sem riso e sem ouro, sem medo ou melancolia

tua estrela mais bonita, saberei do meu pecado.


Saberei que estou cansado por viver atormentado


Dia e noite, noite e dia. Aos teus pés já destroçado


por tamanha covardia!



Não se vê aqui na terra chuva de prata e poesia!


Deixe então, Santa Luzia, que joguem à mim mais estrelas,


que joguem mais serpentinas, que acendam mais labaredas!


Deixe então, Santa Luzia, que eu confesse em cantoria


que o pecado que eu sofria era não ter a nobreza


de cultuar a beleza de toda coisa que caía. Só estrela e poesia!


Ai que então, eu sofria!

quinta-feira, 8 de julho de 2010



Digo que o vento o navega,
se meu barco à deriva
não suporta e não sustenta
navegar sozinho.

Digo que o mar recua,
num acaso que flutua
se há falta de caminho.

Ah! A brisa que me pega
e que aos poucos me carrega.
Frente ao mar, pequenininho
"eu não passo, passarinho".




domingo, 23 de maio de 2010

Aos desavisados, foi um sonho.

Uma vez sonhei, sonhei sim
que não mais sabia se um dia caberia
esse sonho em mim.
E ainda assim eu quis pôr um fim .
Eu quis pôr um fim no sonho.
E ainda assim eu quis sair risonho
do teu labirinto .
Ainda assim eu quis dizer à ela o que eu não sinto.
Creio que acordei errado, já descompassado por sair mentindo.
Uma vez sonhei, sonhei sim
que um dia acordava sem lembrar de nada que cabia em mim.
Apaguei a cama, apaguei quarto e o dia ruim.

Apaguei a vela e sem pensar apaguei ela.

Acordei sim, e ri.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Das mais antigas raizes




E agora resta a cicatriz,

resta ao menos uma secular

que não me deixa esquecer

é um bom motivo pra lembrar

se um dia eu não mais te ter

eu vou brincar de ser feliz.


E agora resta essa raiz

profunda, grossa e medular

que não me deixa entender

que o bom motivo pra esquecer

é não mais tentar lembrar

e abandonar a cicatriz.