segunda-feira, 26 de maio de 2008

Praias




Um salve ao meu Rio de Janeiro,

e as suas praias serenas.

Terra onde quem é branco pena,

mas não pena por ser branco,

só por uma vaga apenas!


Uma vaga pra botar o carro.

Na Lagoa 5 reais! Tá caro!

As vezes nem na Lagoa tem,

e o branco que quase não vem

desiste de ficar bronzeado.





Aos sepultados




Cavarei uma cova profunda.

Pro descanso já anunciado.

E o meu sonho será enterrado,

Enquanto a saudade me inunda.


Velarei os corpos e as flores,

Esperando o sol que nasceria.

E o poeta então responderia:

“_Uma vela aos teus amores!”


Foram muitos os sepultados,

Mas somente um foi amado.

Morte súbitamente estúpida,

E o caixão não foi comprado.


( talvez no fundo eu ainda queira ver o cristo ressuscitado).

sábado, 24 de maio de 2008

Glóbulos II




Os teus olhos são olhos molhados,

De quem teve pressa em chorar,

E achou que não iriam notar

As pálpebras inchadas, os glóbulos ilhados.




Peço que chore as minhas lágrimas,

Pois meus olhos há muito secaram.


Em dois olhos que já se amaram


Há clarividência, alguma essência, ímãs.




Guarde minhas lágrimas e leia as minhas rimas.



Guarde minhas lágrimas e rimas,

Mesmo as rasas e pequenas.

Minhas ambições, meus problemas,

Manias, lamentações e cismas.
Chore por mim, pois minha lágrima é éter.



Glóbulos



Mesmo sem me olhar no espelho com os olhos de antigamente, bem abertos.

Mesmo que eu diga algumas mentiras só para poder partir, eu te amo.

( Sem essa de “vou te seguir pra sempre”).

As vezes é preciso olhar o passado com esses olhos de antigamente.

(Só pra ter certeza que ele não vai voltar).

Eu te amo, com os olhos de hoje, flutuantes!

Eu te amo com os olhos que não pertencem mais ao corpo.

O corpo é pouco. O meu corpo é quase nada.

Amo o cheiro de tinta quase impregnante dos teus dizeres.

Amo vê-los desbotar com o passar do tempo.

Amor, que acalma cada pedaço do meu ser aflito, mesmo que eu esteja em pedaços.

Mesmo que nosso encontro tenha acontecido para depois ser esquecido.

Mesmo que seja para te olhar e depois te esquecer, eu te encontrei!

Quero te olhar e te esquecer com os olhos de antes.

Quero acordar e permanecer em você com os olhos de hoje, flutuantes!


Você, você, você...Amado no meu todo e sempre.

Pequeno


Roubei teus últimos minutos

só pra não dizer adeus,

só pra ter nos braços teus
o tempo e a eternidade juntos.


Roubei e não me arrependo.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Não sei



Consegui meu descanso num porto vazio.
Arrumei o meu quarto, entoei ladainhas.
Acertei os ponteiros, cruzei meus sentidos,
Juntei-me aos pedaços dos arrependidos.

Esqueci o teu nome em grande cantoria,
Escondendo o meu rosto da luz que luzia.
Compreendo a mania de voltar atrás.
É tão triste o adeus, a jura, o jamais.

O que eu faço com as minhas promessas?
O nosso tempo está fora do quarto.


A tristeza invade a terra abatida.
Há esperança de vida em alguma cidade perdida?


A virtude dos homens é sempre medida.
Há um mundo que reza e gente convertida.
A inocência padece em tom de despedida.
O silêncio é uma prece, precede a partida.

Há meninos que buscam a velhice enrustida.

Uma carga radioativa e altamente corrosiva,
Escorre dos becos de um país sem nome.
A fome envenena os guerreiros que dormem,
Ao cair à noite escura, no brilho da lua altiva.

Ainda dormem as almas na fé do planeta,
Com as sementes de vida e todas as esperanças,
Todos os astros celestes, criaturas, cometas.
E o mundo descansa nos mitos e crenças.

E o que eu faço com as minhas promessas?
O nosso tempo está fora do quarto.

Fora do pensamento que vagueia enquanto não durmo.