segunda-feira, 5 de maio de 2008

Não sei



Consegui meu descanso num porto vazio.
Arrumei o meu quarto, entoei ladainhas.
Acertei os ponteiros, cruzei meus sentidos,
Juntei-me aos pedaços dos arrependidos.

Esqueci o teu nome em grande cantoria,
Escondendo o meu rosto da luz que luzia.
Compreendo a mania de voltar atrás.
É tão triste o adeus, a jura, o jamais.

O que eu faço com as minhas promessas?
O nosso tempo está fora do quarto.


A tristeza invade a terra abatida.
Há esperança de vida em alguma cidade perdida?


A virtude dos homens é sempre medida.
Há um mundo que reza e gente convertida.
A inocência padece em tom de despedida.
O silêncio é uma prece, precede a partida.

Há meninos que buscam a velhice enrustida.

Uma carga radioativa e altamente corrosiva,
Escorre dos becos de um país sem nome.
A fome envenena os guerreiros que dormem,
Ao cair à noite escura, no brilho da lua altiva.

Ainda dormem as almas na fé do planeta,
Com as sementes de vida e todas as esperanças,
Todos os astros celestes, criaturas, cometas.
E o mundo descansa nos mitos e crenças.

E o que eu faço com as minhas promessas?
O nosso tempo está fora do quarto.

Fora do pensamento que vagueia enquanto não durmo.

Um comentário:

Eduardo Politzer disse...

toc toc toc

"O silêncio é uma prece, precede a partida."

simples e bonito